Split payment fica para 2028: o que muda para as empresas com o novo cronograma da Reforma Tributária?

A implementação do split payment, um dos principais mecanismos previstos na Reforma Tributária do Consumo, terá um cronograma mais gradual do que muitas empresas esperavam.
A Receita Federal trabalha com a previsão de tornar o mecanismo obrigatório de forma mais ampla a partir de 2028. Para 2027, a expectativa é de uma implementação gradual e facultativa, inicialmente nas operações entre empresas (B2B).
A mudança representa um prazo adicional de adaptação, mas não significa que as empresas possam adiar sua preparação para a Reforma Tributária. Pelo contrário: 2027 continuará sendo um ano decisivo, especialmente com a entrada efetiva da CBS e as mudanças nos processos fiscais, financeiros e tecnológicos.
O que é o split payment?
O split payment, ou pagamento fracionado, é um mecanismo pelo qual o valor correspondente aos tributos pode ser separado automaticamente durante a liquidação financeira de uma operação.
Em uma venda de R$ 10 mil, por exemplo, em vez de a empresa receber todo o valor e posteriormente recolher os tributos devidos, o sistema poderá identificar a parcela correspondente ao IBS e à CBS e direcioná-la ao Fisco.
Na prática, a empresa passa a receber o valor da operação já considerando essa segregação.
O mecanismo está previsto na Lei Complementar nº 214/2025 e faz parte da estrutura criada pela Reforma Tributária para a cobrança da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
O split payment foi realmente adiado para 2028?
É importante fazer uma distinção.
A Receita Federal trabalha atualmente com 2028 como previsão para a obrigatoriedade geral do mecanismo. Isso não significa, porém, que o split payment tenha sido cancelado ou que somente começará a existir naquele ano.
A expectativa é que a plataforma comece a funcionar de maneira gradual e facultativa em 2027, especialmente nas operações B2B, conforme bancos, instituições financeiras e demais meios de pagamento sejam integrados ao sistema.
Outro ponto importante é que, até o momento, a previsão de obrigatoriedade em 2028 ainda não foi estabelecida definitivamente em norma específica.
Portanto, as empresas devem acompanhar a regulamentação e os próximos atos da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS.
Por que a implementação está sendo feita de forma gradual?
O split payment depende de uma infraestrutura tecnológica complexa.
O sistema precisa integrar informações fiscais e financeiras e envolver diversos participantes, entre eles empresas, bancos, adquirentes, instituições de pagamento, sistemas de gestão e administrações tributárias.
Por isso, a implementação depende não apenas da estrutura tecnológica do governo, mas também da capacidade de adaptação das instituições que participam do processamento dos pagamentos.
O período adicional busca permitir que essa integração seja realizada de maneira progressiva antes da obrigatoriedade mais ampla.
O que acontece em 2027?
Este é um dos pontos mais importantes para os empresários.
O novo cronograma do split payment não significa o adiamento da Reforma Tributária.
A transição para o novo sistema tributário continua avançando.
Em 2026, as empresas já entraram no período de testes e adaptação às novas regras da CBS e do IBS. A partir de 2027, a CBS passa a ter papel efetivo no novo modelo, substituindo PIS e Cofins, enquanto a transição do IBS continuará conforme o cronograma da Reforma Tributária.
O próprio calendário oficial da Receita Federal prevê a transição dos novos tributos ao longo dos próximos anos, até a implementação integral do novo sistema em 2033.
Ou seja: o split payment é apenas uma parte da Reforma Tributária.
Adiar a preparação da empresa porque sua obrigatoriedade mais ampla está prevista para 2028 pode ser um erro.
Como o split payment pode afetar o fluxo de caixa?
Esse é provavelmente um dos impactos mais relevantes para a gestão financeira das empresas.
No sistema tradicional, uma empresa pode receber o valor integral de uma venda e recolher os tributos posteriormente, conforme os respectivos vencimentos.
Durante esse intervalo, parte dos recursos permanece temporariamente disponível no caixa.
Com o split payment, essa dinâmica tende a mudar.
Quando aplicável, a parcela correspondente ao IBS e à CBS poderá ser segregada no momento da liquidação da operação.
Isso significa que empresas acostumadas a considerar temporariamente os valores dos tributos dentro de sua disponibilidade financeira precisarão rever sua gestão de caixa.
Dependendo do setor, das margens, dos prazos de recebimento e pagamento e da necessidade de capital de giro, esse impacto pode ser relevante.
O prazo adicional deve ser usado para planejamento
A previsão de obrigatoriedade em 2028 pode ser positiva para empresas que utilizarem 2027 como período de preparação.
Esse tempo adicional permite revisar processos antes que o mecanismo seja amplamente obrigatório.
Entre os principais pontos que merecem atenção estão:
projeção do impacto do split payment no fluxo de caixa;
necessidade de capital de giro;
integração entre sistemas fiscais, financeiros e contábeis;
adequação do ERP e dos processos de emissão de documentos fiscais;
formação de preços;
gestão dos créditos de IBS e CBS;
condições comerciais negociadas com clientes e fornecedores;
revisão dos prazos médios de recebimento e pagamento;
acompanhamento das novas regulamentações da Reforma Tributária.
A análise deve considerar a realidade de cada empresa. O impacto não será necessariamente igual para todos os setores e modelos de negócio.
Reforma Tributária exige mais do que adequação fiscal
Um dos principais riscos para as empresas é tratar a Reforma Tributária apenas como uma alteração de alíquotas ou obrigações contábeis.
As mudanças podem alcançar diretamente áreas como finanças, controladoria, precificação, compras, vendas, contratos, tecnologia e planejamento tributário.
Por isso, a preparação precisa envolver uma visão integrada do negócio.
Uma empresa pode estar tecnicamente preparada para emitir seus documentos fiscais e, ao mesmo tempo, não ter projetado adequadamente os impactos da nova sistemática sobre margem e capital de giro.
É justamente nesse ponto que o planejamento antecipado ganha importância.
O que sua empresa deve fazer agora?
O adiamento da obrigatoriedade mais ampla do split payment oferece tempo, mas esse período deve ser utilizado de forma estratégica.
O primeiro passo é entender como a Reforma Tributária afetará especificamente a operação da empresa, em vez de analisar apenas as regras de forma genérica.
Isso envolve simular cenários tributários, avaliar impactos financeiros, revisar processos e identificar antecipadamente os ajustes necessários.
Quanto antes esses efeitos forem conhecidos, maior será a capacidade da empresa de tomar decisões sobre preços, contratos, fornecedores, investimentos e necessidade de capital de giro.
Sua empresa está preparada para a Reforma Tributária?
A Reforma Tributária já está em fase de implementação, e as decisões tomadas durante o período de transição podem ter impactos importantes nos próximos anos.
A Planconsul auxilia empresas na avaliação dos impactos da Reforma Tributária, planejamento tributário e análise dos reflexos financeiros das novas regras.
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